O rigor

Publicado: 19/03/2010 em Sem categoria
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A rigor - unknown author'

A rigor - unknown author

Meu nome é minha sombra irretocável. Há os que me veem e duvidam. A sombra todos conhecem, todos têm acesso, pensam capaz de modificá-la e somente eu modifico a mim nesta estrada que construo. Nem que seja à força de outra vontade, nesta, mesmo distraído, tenho o senso para mais cedo ou mais tarde contornar o desconhecido e dele só ter em mim o que me tece.

Nunca foi tão senso assim. Houve épocas de guerra em que perdi partes preciosas de mim – numa época em que a covardia era tão igual como é em todos os tempos. O que hoje perco é mais negociado, é mais denso de conversação, percorre a estrada e sugere outra à frente e a dissolução só se dá pelo que se quer. Nada se perde, tudo é ato da generosidade.

Querer é uma coisa difícil, é um não aberto às sombras que não são minhas, mas por cujo corpo vivo se fez história em mim. Tenho dentro história de amigos, sou feito, algumas boas partes, dos amigos que me deram ou que dei carona. Foram momentos de ótimas decisões. Mas a trilha não é tão simples, o carro engasga, vêm temporais desumanos das questões humanas e tantas vezes prevalece mais ego que história.

Na história, no entanto, fica o que há de ser. Nada que se agrega, nada que distrai, nada que se perde, nada deixa de ter significado. Pois que se signifique claro, quem quiser. O poder de esclarecer as tintas são do novo pintor que revê o que quer. Se há preguiça é que se foi há muito e eis chegado o momento: a solução do problema começa a acontecer quando ele se coloca em out-doors da mente, em neon, não deixando desenganos. Desengano leva o que a ilusão quer e esta é ferramenta de descuido e não de construção.

Traçar a arquitetura de movimentos signatários de uma possível identidade é sempre um envolvimento com um esboço nunca concluído. Tudo o que se grava registra rastros do que ainda está por acontecer e, mesmo disso sabendo, não adianta pensar-se nestes termos, pois o “instante já” gravou, já, o corte irrecuperável. Faz-se o não com eterno primor para o rigor da existência dos sentimentos.

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